Coisas que você precisa saber sobre a União Europeia e a saída do Reino Unido do bloco

28/06/2016

Uma notícia chamou a atenção de todo o mundo na última semana e em poucas horas mexeu com as bolsas de valores, cotação de moedas e o termo Brexit esteve nos trending topics mundiais das redes sociais. Com 52% de votos a favor, o Reino Unido aprovou a sua saída da União Europeia (UE), após 43 anos de participação, segundo resultado do referendo realizado na última quinta-feira (23/06). O primeiro-ministro britânico David Cameron anunciou o resultado do referendo e a vitória do Brexit – termo que é a união das palavras Britain (Grã-Bretanha) e Exit (saída, em inglês) – e ainda afirmou que renunciará até outubro. O Reino Unido, formado por Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales, será o primeiro membro a deixar a UE.

Mas o que isso significa na prática? Quais as consequências da saída do Reino Unido do bloco? Ficar atento às informações da atualidade e conjuntura política e econômica mundial é fundamental para estudantes que estão se preparando para vestibulares, Enem e outros processos seletivos. Mais ainda, é preciso analisar a informação e suas repercussões em todos os cenários. Por isso, trazemos neste texto algumas coisas que você precisa saber sobre a União Europeia e a saída do Reino Unido do bloco. Esses tópicos podem e devem ser aprofundados com videoaulas, podcasts, aulas presenciais e estudos individuais, já que podem ser temas recorrentes em provas este ano.

1 – O que é União Europeia?

A União Europeia (UE) é o maior e mais bem estruturado bloco econômico e político do mundo, conhecido pela livre circulação de bens, pessoas e mercadorias e pela adoção de uma moeda única: o euro. A ideia de se criar um bloco econômico europeu veio desde os fins da 2ª Guerra Mundial, quando o continente perdeu a hegemonia econômica para os Estados Unidos. Os europeus, especialmente do ocidente, resolveram se unir em organizações para ampliar seus mercados e competirem diretamente com a potência norte-americana. Em 1951, lançaram-se as bases para a criação da União Europeia, através da Comunidade Europeia de Carvão e Aço. Seis anos mais tarde, Bélgica, França, Holanda (Países Baixos), Itália, Luxemburgo, República Federal da Alemanha, assinaram o Tratado de Roma, que instituiu a Comunidade Econômica Europeia.

Formado originalmente por 15 países da Europa Ocidental, o bloco passou a se chamar formalmente União Europeia em 1993, após a entrada em vigor do Tratado de Maastricht, de 1992. Primeiro a UE reduziu as tarifas alfandegárias e posteriormente, foi criada a tarifa externa comum. Após a consolidação do comércio entre os países do bloco, passou-se a estabelecer os princípios que regeriam as políticas gerais do bloco, com os tratados de Amsterdã e Schegen.

A partir de então, ficaram estabelecidas as políticas comuns em relação à questão do emprego, de imigração, a criação de uma legislação comum para a concessão de vistos e asilo político, bem como o fim do controle de fronteira entre membros do bloco. Os cidadãos da União Europeia poderiam circular livremente entre os países signatários, tendo assim melhores oportunidades de emprego. Em 1999, foi criado o euro, a moeda única do bloco, e em 2002 iniciou a sua circulação efetiva no mercado. A adoção da moeda comum gerou certos conflitos entre os membros. Grã-Bretanha, Suécia e Dinamarca não aderiram a essa fase.

Atualmente o bloco é formado por 28 países europeus independentes que participam desse projeto de integração política e econômica: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos (Holanda), Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e Suécia.

2 – Quais as possíveis consequências da saída do Reino Unido da UE?

O impacto econômico negativo foi imediato. A libra esterlina, moeda do Reino Unido, sofreu uma grande desvalorização no mercado de câmbio e as bolsas de valores britânicas e de todo o mundo sentiram o efeito. A Bolsa de Paris, por exemplo, sofreu uma queda considerável, assim como a Bolsa do Japão. O Reino Unido abriga várias fábricas japonesas, que foram instaladas naquele local visando todo o mercado europeu. Com a saída do Reino Unido do bloco, o Japão perderá essa vantagem de comercializar diretamente com toda a União Europeia. Caso o Japão transfira suas fábricas para outro país da UE, o Reino Unido perderá milhares de postos de trabalho, o que afetará profundamente a economia do país em um futuro próximo.

A saída do bloco afeta de forma fundamental e economia do Reino Unido porque os benefícios comerciais que eles tinham sendo membro do bloco serão revistos. Além disso, simbolicamente, o brexit alimenta uma série de forças anti-integração em todo o continente, de nacionalismo e de discursos anti-imigração e xenofóbicos. A França, por exemplo, já quer iniciar também um movimento de saída do bloco.

A saída de um país de um bloco econômico não é uma questão simples e pode demorar um tempo para se concretizar de fato. O que é certo é que uma decisão foi tomada e o processo para saída da União Europeia deve ser conduzida talvez pelo próximo primeiro-ministro, já que David Cameron irá renunciar ao cargo em outubro deste ano.

3 – O que motivou a saída?

A Europa vive um momento de tensão política quando se trata de autonomia para tomada de decisões relativas às suas fronteiras. O medo constante de novos atentados terroristas, o problema dos refugiados, a tentativa de controlar suas próprias fronteiras são alguns motivos para que os países busquem autonomia, já que no bloco as decisões são tomadas em conjunto.

5 – A coesão do Reino Unido está ameaçada?

Tudo indica que sim. A votação do referendo mostrou um Reino Unido bastante dividido. Os movimentos nacionalistas e separatistas podem ganhar força, lembrando que a Escócia e a Irlanda do Norte votaram, em sua maioria, pela permanência no bloco. Há dois anos, os escoceses decidiram em um referendo por não se tornar independente do Reino Unido, mas com o resultado atual do brexit, a Escócia já avalia a possibilidade de fazer uma nova consulta para poder se reintegrar à União Europeia.

6 – A saída do Reino Unido pode influenciar outros países a deixarem o bloco? 

Grupos políticos nacionalistas europeus devem ganhar mais espaço com seus discursos separatistas. Movimentos de ultradireita têm crescido no continente e podem ser fortalecidos com a vitória do brexit, já que o Reino Unido é um dos territórios mais fortes da Europa econômica e politicamente.

Postado em: Dicas — pamela @ 17:31

2 Comentários »

  1. A saída da ilha do bloco deve ser, presumivelmente, um desastre econômico. A Grã-Bretanha mantém fortes laços comerciais com a Europa, garantidos pela entrada de produtos sem taxações, o que à partir de agora seria interrompido. América Latina e Ásia, ao contrário do Período Napoleônico, não garantirão a sobrevida dos ressentidos imperialistas. O desemprego na ilha, que já é uma realidade, tende a se transformar no caos, que de certa forma é desejado por grupos nacionalistas. Um claro exemplo disso é no Brasil, onde grupos específicos superdimensionaram problemas específicos para substituir um governo legalmente eleito.

    Comment by Gilson Bastos — 30/06/2016 @ 08:05

  2. A recente projeção do FMI apontou que o Brexit poderá influenciar negativamente a já “moderada” retomada econômica da Europa, além de frear a economia mundial para os próximos dois anos. Mas certamente o efeitos mais claros, principalmente no curto prazo, serão vistos na Europa e no próprio Reino Unido. Por aqui os impactos ainda são muito pequenos…

    Comment by Fábio — 26/07/2016 @ 18:35

Feed RSS para comentários sobre este post. TrackBack URL

Deixe um comentário

SEE|
Rod. Pref. Amrico Gianetti, s/n - B.: Serra Verde - BH/MG - Prdio Minas /11 Andar - CEP 31630-900 - Tel.: (31) 3916-7000
Todos os direitos reservados - Aspectos legais e responsabilidades