15 dicas de filmes nacionais para trabalhar na escola

02/08/2016

Usar filmes na sala de aula é um recurso didático bem comum e eficaz que pode ser aplicado nas escolas. Além de proporcionar uma aula diferenciada, o professor pode interagir mais com os alunos através da linguagem cinematográfica e discutir temas diversos, desde assuntos históricos e científicos até questões comportamentais. Você sabia que existe inclusive uma lei que estabelece a obrigatoriedade da exibição de, no mínimo, duas horas mensais de filmes brasileiros nas escolas de Educação Básica? A lei nº 13.006, de 2014, define que “a exibição de filmes de produção nacional constituirá componente curricular complementar integrado à proposta pedagógica da escola, sendo a sua exibição obrigatória por, no mínimo, 2 (duas) horas mensais.”

Os filmes podem ser acompanhados de debates em sala de aula, trabalho extraclasse e ajudam ainda a aprofundar temas presentes nos currículos escolares. Além de prestigiar as produções nacionais, o professor tem a oportunidade de levantar questões relevantes ao universo dos jovens, podem trabalhar de forma multidisciplinar, desenvolver atividades diferenciadas, como uma sessão de cinema na escola, e ainda interagir com a comunidade escolar.

O cinema nacional vem crescendo a cada ano e são diversas as produções nacionais com grande riqueza artística e conteúdo. Vale a pena explorar esse universo, conhecer os trabalhos desenvolvidos pelos cineastas brasileiros e trazer isso para dentro de sua escola em uma perspectiva pedagógica. É importante ficar atento se classificação etária do filme condiz com a faixa de idade dos alunos e também assistir todo o filme anteriormente para planejar a sua aula.

Confira nossas dicas de filmes nacionais que podem ser trabalhados na escola:

1. O Menino e o Mundo (2015)

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Esta premiada animação de Alê Abreu, indicada ao Oscar de melhor animação mostra como um menino deixa a casa em que vive e inicia uma jornada de autoconhecimento enquanto busca o seu pai. Com traços estéticos simples e diferenciados e uma trilha sonora inspiradora, O Menino e o Mundo é um filme indicado para todas as idades, com diferentes leituras possíveis. A animação pode ser trabalhada nas escolas com foco na questão artística e estética ou em sua história singela que trata com sensibilidade como uma criança vê e sente o mundo dos adultos.

2. As melhores coisas do mundo (2010)

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Este filme de Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi é um retrato das descobertas, desafios e incertezas da adolescência de Mano, um garoto de classe média de 15 anos. O longa é inspirado nos livros da série Mano, de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto. O protagonista sonha em tocar guitarra para agradar as meninas, deseja a garota mais linda escola, circula de bicicleta pela cidade e vai na onda da turma para tentar ser “popular”. A escola se revela um local em que a diversidade é encarada com dificuldade e cada dia uma nova pessoa é o alvo do bullying. A separação dos pais, a revelação da sexualidade do pai, as fragilidades emocionais do irmão mais velho, colocam Mano em situações difíceis e desafiadoras. O filme pode ser exibido para alunos do Ensino Médio para trabalhar questões como o início da adolescência, sexualidade, respeito à diversidade e prevenção ao bullying.

3. Hoje eu Quero Voltar Sozinho (2014)

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O filme de Daniel Ribeiro mostra um adolescente com deficiência visual lidando com as descobertas dessa fase da vida e os desafios impostos pela cegueira para garantir sua identidade e independência. O filme toca em dois temas polêmicos – a cegueira e a homossexualidade – mas o faz com naturalidade, desenhando uma história doce de amor e amizade. O longa é indicado para os professores que querem trabalhar com os alunos questões como a descoberta da sexualidade, respeito à diversidade, inclusão de pessoas com deficiência, preconceito e bullying.

4. Bicho de Sete Cabeças (2001)

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O longa de Laís Bodankzy e Luiz Bolognesi inspirado no livro Canto dos Malditos, de Austregésilo Carrano. Conta a história de Neto, interpretado por Rodrigo Santoro, um jovem que tem um relacionamento difícil com o pai, agravado no dia em que o pai, interpretado por Othon Bastos, encontra um cigarro de maconha no bolso do seu casaco. Neto é então internado compulsoriamente em um hospital psiquiátrico, onde sua vida se transforma em um inferno. Entre torturas e conflitos, Neto passa por transformações que alteram completamente suas relações familiares. O filme, entre outros temas, pode desencadear uma discussão sobre a loucura, a exclusão, a dependência química e a luta antimanicomial.

5. Linha de Passe (2008)

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Filme de Walter Salles e Daniela Thomas, Linha de Passe conta a história de quatro irmãos que vivem na periferia de São Paulo que precisam lidar com as transformações religiosas e sociais pelas quais o Brasil passa, assim como a inserção no meio do futebol e a ausência de uma figura paterna. Reginaldo é um jovem que procura seu pai obsessivamente, Dario sonha em se tornar jogador de futebol, Dinho dedica-se à religião e Dênis enfrenta dificuldades em se manter e sustentar o seu filho. A mãe Cleuza trabalha como empregada doméstica e está mais uma vez grávida, de pai desconhecido. Questões relacionadas aos desafios da juventude de periferia no Brasil podem ser trabalhadas em um debate crítico com os alunos, especialmente de Ensino Médio.

6. Reis e Ratos (2010)

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Com direção e roteiro de Mauro Lima, a história de passa em 1964, no Rio de Janeiro, a contada por meio dos diferentes pontos de vista de cada personagem, quando um clima de conspiração afeta várias pessoas relacionadas, de alguma maneira, com o cenário político da época. Entre elas está o agente da CIA chamado Troy, que vive no Brasil e passa a duvidar de sua fidelidade com sua terra natal, depois de experimentar as coisas boas de nossa terra e se casar com uma brasileira. Em parceria com o brasileiro Major Esdras, ele planeja uma armadilha para o presidente que pode atrapalhar os planos do Golpe Militar.

7. Que horas ela volta (2015)

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No filme de Anna Muylaert, a pernambucana Val se mudou para São Paulo, deixando sua filha Jéssica em Pernambuco, para ser babá de Fabinho, em busca de melhores condições, morando integralmente na casa de seus patrões. Treze anos depois, Jéssica vai para São Paulo para prestar vestibular. Os chefes de Val recebem a menina na casa, mas quando ela deixa de seguir certo protocolo, circulando livremente, como não deveria, a situação se complica. Esse filme levanta importantes temas para debate com os adolescentes, como desigualdade social, preconceito de classe e regionalidades.

8. O Que é Isso, Companheiro? (1997)

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Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e ao Urso de Ouro de Berlim, o longa de Bruno Barreto conta a história verídica do sequestro do embaixador dos Estados Unidos por militantes contrários à ditadura militar. O filme é uma boa opção para trabalhar a temática da ditadura militar no Brasil com os estudantes.

9. O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006)

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Durante a Copa do Mundo de 1970, os pais de Mauro dizem ao filho que vão sair de férias, mas na verdade estão saindo do país para escapar da repressão na ditadura militar. Sem entender, o garoto de 12 anos acaba indo morar com um judeu solitário em seu prédio em São Paulo. O filme de Cao Hamburger pode ser exibido nas escolas para debater temas como ditadura militar e direitos humanos.

10. Lixo Extraordinário (2011)

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O documentário de João Jardim, Lucy Walker e Karen Harley mostra o trabalho do artista plástico brasileiro Vik Muniz em parceria com os catadores num lixão do Rio de Janeiro. O filme exalta o poder transformador da arte na vida daqueles trabalhadores e aproxima o espectador daquela realidade. Indicado ao Oscar de Melhor Documentário, Lixo Extraordinário é uma opção para os professores trabalharem a questão do descarte dos materiais, a reciclagem e os problemas causados pela lixo nas grandes cidades.

11. A Estrada 47 (2013)

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Filme de Vicente Ferraz, A Estrada 47 mostra a esquadra de caçadores de minas da Força Expedicionária Brasileira na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. Os soldados sofrem um ataque de pânico e acabam se perdendo. Desesperados, com frio, fome e sede, os despreparados pracinhas têm de optar por enfrentar a Corte Marcial ou encarar novamente o inimigo. É então que os remanescentes do grupo decidem rumar para outro objetivo militar: desarmar o campo minado mais temido da Itália. No caminho, acabam encontrando outros desertores: um fascista arrependido e um oficial alemão cansado da guerra. Com a inesperada ajuda dos inimigos, os pracinhas conseguem realizar uma das mais impossíveis façanhas já imaginadas em todo o conflito.

12. Chatô, O Rei Do Brasil (1995)

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Cinebiografia de Assis Chateaubriand, também conhecido por Chatô. Ele foi o primeiro magnata das comunicações no Brasil, destacando-se entre as décadas de 1930 e 1960. Chegou a ser chamado de Cidadão Kane brasileiro. Foi fundador da TV Tupi, dos Diários Associados e do Museus de Arte de São Paulo (Masp). Baseado em livro homônimo de Fernando Morais. O filme de Guilherme Fontes foi lançado em 2015, 20 anos após o início de sua produção. Chatô pode ser tema de estudo sobre a história das telecomunicações no Brasil.

13. Xingu (2012)

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Este filme de Cao Hamburger mostra uma aventura de três irmãos responsáveis pela fundação do Parque Nacional do Xingu, os irmãos Villas-Bôas. A saga começa com a travessia do Rio das Mortes e logo eles se tornam chefes da empreitada, envolvendo-se na defesa dos povos indígenas e de suas diversas culturas, registrando tudo num diário batizado de A Marcha para o Oeste. Ao recontar a saga dos irmãos, Xingu apresenta a luta pela criação do parque e pela salvação de tribos inteiras que transformaram os Villas-Bôas em heróis brasileiros, traçando com problemas crônicos do processo de formação brasileiro. Este filme pode levantar um debate na sala de aula sobre como vivem e são tratados os povos indígenas no Brasil, processo de colonização brasileira, reservas ecológicas e biodiversidade.

14. Janela da Alma (2001)

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O documentário de João Jardim e Walter Carvalho apresenta pessoas com diferentes graus de deficiência visual e trata a relação que elas têm com a visão e o olhar. Diversas pessoas fazem revelações sobre o significado de não ver em um mundo com o excesso de informações audiovisuais. A obra pode ser utilizada pelo professor para trabalhar temas como deficiência, visão e o excesso de informações audiovisuais. ico alvo: ensino médio

15. Uma História de Amor e Fúria (2013)

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Esta animação de Luiz Bolognesi conta a história de amor de um herói imortal e Janaína. Passando por épocas históricas do Brasil, como a exploração portuguesa, a escravidão e a ditadura militar, o filme vai apresentando a trajetória do casal que sobrevive por todas essas fases. Além disso, a obra também apresenta uma projeção de futuro do país em 2096. O filme pode ser a base para discutir temas como a colonização portuguesa e a história do Brasil e ainda projetar problemas e possíveis soluções para o futuro.

 

Postado em: Dicas — Andrea Hespanha @ 17:10

2 Comentários »

  1. Para a melhor aplicação da lei esses filmes e outros, poderiam ser enviados as escolas para serem trabalhados pelos professores.

    Comment by Lídia Soares — 02/08/2016 @ 18:47

  2. Bacana a proposta. O que me intriga é como colocar em prática. As nossas escolas não dispõem de infraestrutura e recursos para tal proposta. Nem internet temos.

    Comment by ROSENEA — 10/08/2016 @ 22:05

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