8 Obras literárias, cinematográficas e musicais de mulheres inspiradoras e que marcaram a história

08/03/2017

Condições de trabalho, direito ao voto, sair sozinha de casa, estudar e usar saia curta pode parecer algo muito comum nos dias de hoje, mas nem sempre as mulheres tiveram esses direitos. O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, surgiu justamente nesse cenário de lutas femininas, no início do século XX. São muitos exemplos de mulheres que colocaram o seu nome na história em busca de igualdade, de diminuir o preconceito e a desvalorização. Essas mulheres fortes e corajosas foram e são fundamentais para o empoderamento de um sexo que pode ser tudo, menos frágil.

Seja na literatura, no cinema ou na música, a luta da mulher pela igualdade nos traz histórias chocantes e inspiradoras. A lista é muito extensa, como Rosa Parks, Simone de Beauvoir, Coco Chanel, Zuzu Angel, Oprah Winfrey, Amelia Earhart, Chimamanda Ngozi Adichie, Olga Benário, Frida Khalo, Eva Peron. Aqui listamos 8 sugestões de obras literárias, cinematográficas e musicais sobre a vida de mulheres inspiradoras e os exemplos que elas deixaram para as gerações.

Além das sugestões abaixo, para quem estiver em Belo Horizonte, a dica é conferir, a partir de hoje, até o dia 12/03, a Mostra de Cinema Feminista, no Sesc Palladium. São 43 filmes, entre longas e curtas, que têm como objetivo dar visibilidade às produções e atuação de mulheres, bem como reforçar a luta contra o feminicídio e pela igualdade. A entrada é gratuita.

LITERATURA

Mulheres, raça e classe – Angela Davis (2016)

Angela é professora, filósofa socialista e integrante do Partido Comunista dos Estados Unidos e se tornou famosa mundialmente pela militância em prol dos direitos das mulheres e contra o racismo. O livro é atualmente um dos mais importantes para compreender o feminismo interseccional. Nessa obra, Davis analisa as estruturas racistas, sexistas e classistas que ordenam nossa sociedade, considerando como essas questões se entrelaçam.

Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada – Carolina de Jesus (1960)

A moradora da antiga favela do Canindé, em São Paulo, relatou em seu diário o cotidiano miserável de uma mulher negra, pobre, mãe, escritora e favelada. Este livro é indispensável para qualquer pessoa que se interessa sobre a literatura de autoria feminina. O livro permite a compreensão da conjectura social brasileira na década de 50 a 60, a estender ao longo das outras décadas pelas permanências sociais históricas em virtude do racismo.

Eu sou Malala (2013)

Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, Malala quando foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Sua recuperação milagrosa a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz. Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens.

 

CINEMA

Estrelas Além do Tempo (EUA – 2017)

O filme, que está em cartaz nos cinemas, conta a história de mulheres que trabalharam na NASA e foram fundamentais no processo da ida do homem à Lua, em 1969. Em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputam a supremacia na corrida espacial ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial, entre brancos e negros. Na disputa pelo Oscar 2017 o filme concorreu nas categorias de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz Coadjuvante, pela atuação de Octavia Spencer.

She’s Beautiful When She’s Angry - “Ela fica linda quando está com raiva”, em tradução livre (EUA – 2014)

Este documentário apresenta um olhar inspirador sobre as mulheres brilhantes e corajosas que lideraram o movimento feminista na década de 1960 e 1970 nos EUA. O filme mostra que os movimentos feministas surgiram com grande influência dos movimentos de direitos civis na década de 60, e trouxeram questionamentos e a consciência sobre a necessidade de igualdade entre homens e mulheres.

 

MÚSICA

Elza Soares

Não é de hoje que a cantora representa a mulher sobrevivente, batalhadora, livre, dona de seus desejos e vaidades. Mais do que isso, exprimiu a arte de uma mulher guerreira, determinada, que não abre mão de seus prazeres e é um símbolo de perseverança. Para a qual não existe idade, credo, gênero ou raça. O último álbum da cantora, o aclamado “A Mulher do Fim do Mundo”, mistura gêneros musicais como o samba, rock, rap e eletrônica, e temáticas atuais como sofrimento urbano, transexualidade, negritude, entre outros. Destaque para a música “Maria da Vila Matilde”, que denúncia a violência doméstica contra as mulheres no Brasil.

Nina Simone

A Cantona norte americana que é símbolo de resistência e luta, foi uma mulher de muita fibra, mas principalmente de um grande talento. O ativismo sempre foi uma marca de sua personalidade e uma constante em suas letras. Four Women conta a vida de diferentes mulheres, com diferentes histórias de vida – algumas mais sofridas do que outras -, de diferentes raças, mas que não tiveram voz. Ain’t Go No/I Got Life é um símbolo de luta, de resistência. Vale a pena também conferir o documentário produzido pela Netflix, “What Happened, Miss Simone?” (2015), com gravações inéditas e imagens raras de arquivo.

Clementina de Jesus

A cantora de voz grave e rouca, conhecida por suas interpretações de “Marinheiro só” e “P.C.J.” foi extremamente importante na preservação das raízes afro-brasileiras na MPB. Clementina começou a carreira tardiamente, gravou pela primeira vez aos 63 anos, com 81 anos gravou um disco que compilava cantos de negros escravizados, que tinha como base teórica o livro “O negro e o garimpo em Minas Gerais”, do linguista mineiro Aires da Mata Machado Filho. Recentemente foi lançado o livro “Quelé — A voz da cor: Biografia de Clementina de Jesus”, que traz um rico olhar sobre as origens da música negra.

 

Postado em: Dicas — Andrea Hespanha @ 11:56

Nenhum Comentário »

Nenhum comentário ainda.

Feed RSS para comentários sobre este post. TrackBack URL

Deixe um comentário

SEE|
Rod. Pref. Amrico Gianetti, s/n - B.: Serra Verde - BH/MG - Prdio Minas /11 Andar - CEP 31630-900 - Tel.: (31) 3916-7000
Todos os direitos reservados - Aspectos legais e responsabilidades