Dicas para abordar a temática indígena nas escolas

18/04/2017

A cultura indígena possui um grande universo de informações a serem estudadas e pode gerar um rico processo de aprendizagem para os alunos. O dia 19 de abril, instituído como o Dia do Índio, pode abrir espaço para reflexão sobre diversos aspectos dos valores culturais dos povos indígenas e a importância da preservação e respeito a esses valores, proporcionando também o contato com a história do nosso país e a contribuição indígena para a formação do povo brasileiro.

Em vigor desde 2008, a Lei 11.645  inclui no currículo oficial da rede de ensino o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena. A lei orienta que os conteúdos ministrados no âmbito de todo o currículo escolar contemple esses temas, em especial, as áreas de educação artística, literatura e história brasileira.

Para a coordenadora de Educação Escolar Indígena da Secretaria de Estado de Educação, Célia Xakriabá, a educação e o conhecimento são ferramentas também de luta dos povos indígenas. Ela acredita que é preciso abrir espaços para que os indígenas contem as suas histórias, não apenas a do passado, mas a que está sendo construída hoje e que certamente será contada no futuro.

“Quando falamos de ensinar a cultura e história indígena dentro das escolas é uma dívida histórica que se tem com os povos indígenas. Temos que pensar outras metodologias para se contar a história e possibilitar outras verdades e versões. A história contada no passado, dentro do contexto indígena, não é mentira, mas a sociedade sofre transformações a todo o momento, e isso é inevitável também dentro da cultura indígena”, comenta Célia.

Portal Escola Interativa da Secretaria de Estado de Educação (SEE) possui um vasto material que pode ser utilizado para desenvolver atividades, discutir e aprofundar sobre o assunto. Debates, exibição de vídeos e documentários, produção de texto, poesias, dentre outras metodologias podem e devem ser inseridas durante as aulas para que os alunos reflitam sobre a preservação da cultura indígena. Além das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena na Educação Básica, os professores e/ou alunos encontraram diversos conteúdos, como informações sobre os jogos escolares indígenas, plantas medicinais, brincadeiras, danças e origem das línguas.

“Existem várias experiências de professores indígenas de Minas Gerais que produziram os seus próprios livros e construíram outras narrativas para desmistificar essa historia pré-concebida quando falamos dos povos indígenas, sobre como vivem e o que comem. É impossível trilhar o mesmo caminho dos indígenas do passado se há uma transformação no presente”, destaca a coordenadora.

Outra dica do Blog Educação é o vídeo da campanha criada pelo Instituto Sócio Ambiental (ISA), #MenosPreconceitoMaisÍndio, que aborda o preconceito contra o índio, que sofrem por terem incorporado hábitos e tecnologias não-indígenas ao seu dia a dia. O Blog também fez uma seleção de obras, que podem ser um bom ponto de partida para trabalhar a temática indígena em sala de aula. Afinal, como dizia o cantor e compositor Jorge Ben Jor, “todo dia, toda hora, era dia de índio”. Confira:

 

Na literatura

A literatura apresenta variados gêneros com temática indígena, como relatos sobre a origem do mundo e atividades cerimoniais, histórias de animais, narrativas sobre fatos gerais da vida, cantos diversos, poemas, etc. Nessa dimensão, destacamos os romances O Guarani (1857) e Iracema (1865), de José de Alencar, demonstram o interesse do autor em conhecer o índio, tendo como elemento principal da miscigenação racial na formação de nosso país. Os livros estão disponíveis gratuitamente no Portal Domínio Público.

 

No cinema

Existem muitas produções cinematográficas que abordam diferentes aspectos da vida e da história indígena no país. Algumas obras são fundamentais dentro do cinema brasileiro, como O Descobrimento do Brasil (1936), Idade da Terra (1980), Serras da Desordem (2006), e outras mais atuais, como Martírio (2016) e Taego Ãwa (2016).

 

Na música

Seja na ópera O Guarani, de Carlos Gomes, baseado no romance de José de Alencar, ou nas canções de Heitor Villa-Lobos, que trazem elementos das canções indígenas, a temática sempre esteve presente na música brasileira. Atualmente, destacamos a rádio Yandê que traz em sua programação muita música, além de informações sobre a realidade indígena do Brasil. E também o trabalho do Brô MC’s, primeiro grupo de rap indígena do país, que misturam português e guarani para falar sobre o seu cotidiano.

 

Na arte

A Arte Indígena é um patrimônio sócio-cultural e se confunde com a cultura brasileira, se destacando na cerâmica, no trançado, nos enfeites no corpo, etc. Basicamente utilizando materiais encontrados na natureza, apreciar uma peça de arte indígena é apreciar uma pequena parte do Brasil. A Galeria Claudia Andujar, no Instituto Inhotim, apresenta uma ampla seleção de fotografias do período em a artista viveu com os índios Yanomami, além de desenhos feitos por um grupo de indígenas que retrataram o seu habitat, mitos e tradições.

 

 

Escolas indígenas de Minas

 

Minas Gerais conta com, aproximadamente, 4.200 mil alunos indígenas das etnias Kaxixó, Krenak, Maxakali, Pataxó, Pankararu, Xacriabá, Xucuru-Kariri e Mokurin. O Estado tem 17 escolas indígenas e duas turmas vinculadas a escolas não indígenas. O atendimento escolar indígena é feito em 64 endereços e as unidades de ensino estão localizadas em onze municípios.

Postado em: Dicas — Eric @ 17:46

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